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A discordância política do governo

artigo empreendedor
Por Arthur Oliveira

Joaquim Levy quando assumiu o cargo de ministro da fazenda, no início deste ano, já tinha conhecimento da difícil missão que enfrentaria.

Com a perspectiva de alta da inflação e a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) com valores abaixo de zero, as alternativas mais recomendadas para equilibrar os números da economia doméstica seriam trabalhar com um forte ajuste fiscal e elevar a taxa de juros. O problema encontra-se no fato de que, para se obter a aprovação de tais medidas impopulares, o ministro deveria ter apoio político do congresso e principalmente da base aliada, porém, como podemos ver, nenhum dos dois está de acordo com os ajustes que devem ser feitos.

O ponto que esteve em discussão desta vez foi a meta do superávit primário. Os ministros Nelson Barbosa (ministro do planejamento) e Aloizio Mercadante (ministro da casa civil), com todo seu apoio político, defenderam a proposta do relator do projeto de Orçamento no Congresso, o senador Romero Jucá, em diminuir a meta do superávit primário em 2015, de 1,1% para 0,4%, para que assim se anunciasse números mais realistas. Segundo a defesa, isto daria mais credibilidade ao Governo no momento.

O ministro da fazenda, entretanto pensa o contrário, acredita que alterar a meta do superávit primário para menos seria uma demonstração de fraqueza e de incapacidade do Governo em gerir as contas públicas e, na opinião do ministro, esta perspectiva poderia implicar em uma redução da nota soberana do Brasil pelas agências de classificação de risco. Tanto é que esta semana a Moody’s estará em Brasília para analisar a questão.

Desta vez Levy levou a melhor. A presidente Dilma Rousseff segue firme em sua defesa e arbitrou a batalha a favor do ministro. Segundo detalha a reportagem de “O Globo” do dia 13 de julho, a presidente vetou a discussão do tema na última reunião do Conselho Político usando o seguinte argumento: “Temos nossa meta e não vamos mexer nisto”. A ideia do ministro Barbosa de criar uma “banda fiscal” (uma forma de disfarçar o reajuste da meta) também foi desconsiderada no debate.

Por enquanto, Joaquim Levy ganha fôlego para continuar buscando a meta estabelecida por ele, sem cortes ou “maquiagens”. Há pouco tempo, se indagava até quando o ministro resistiria em seu cargo, hoje a pergunta que se faz é de como Levy conseguirá pôr em prática as medidas fiscais que busca sem o apoio político necessário. Diante da situação econômica em que o País se encontra e com o congresso indo na direção contrária aos ajustes propostos, dificilmente Levy poderá apresentar o trabalho que gostaria.

 

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