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O Dilema do Banco Central

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Por João Pedro Brugger

A próxima reunião do Banco Central será somente em junho, mas a decisão da autoridade monetária certamente gerará criticas por parte de economistas e analistas, independente do que for definido.

Em seu último encontro, no dia 29 de abril, o Comitê de Política Monetária (COPOM) decidiu por unanimidade elevar a taxa de juros em 0,50 pontos percentuais, em linha com a expectativa de mercado. A inflação, medida pelo IPCA, acumula alta de 8,17% em 12 meses, e com certeza foi o principal motivo pela continuidade do aperto monetário. A lentidão do Governo em conseguir aprovar as medidas de ajuste fiscal propostas por Joaquim Levy também devem ter influenciado o BC, embora o mesmo não deixe isso explícito. Entretanto, existe o outro lado da moeda. O nível de atividade doméstico está nos piores níveis dos últimos anos, deveremos encerrar o ano com o PIB retraindo -1%. Os números de produção industrial seguem mostrando que o setor se arrasta, e a carteira de crédito das instituições financeiras passa por uma desaceleração preocupante. Em função disso, muitos economistas acham que a alta de juros deveria parar por aqui.

Diante desse cenário desafiador, a tarefa do Banco Central é ingrata. A autoridade monetária tem tentando ancorar as expectativas inflacionárias com uma estratégia que combina elevação de juros, e uma comunicação extremamente conservadora com o mercado. Palavras como “vigilante” estão constantemente nas atas das últimas reuniões do COPOM. Até mesmo por isso, o mercado projeta no mínimo mais uma alta de 0,25% na Selic. Porém, como dito acima, a frágil situação da economia doméstica, combinada a uma série de importantes números que serão divulgados até a próxima reunião, poderão fazer com que o BC surpreenda. Eu acredito que o risco do Banco Central “errar a mão” ao não encerrar a alta de juros agora é grande, podendo comprometer o crescimento inclusive para 2016.

 

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