Este cenário de inflação elevada e redução do crescimento levou a pesadas perdas na bolsa de valores e, por outro lado, favoreceu as aplicações de renda fixa.





Resultados em
Junho de 2008


Ativo % Mês % Ano
Ibov. Fech. -10,44 1,77
CDI 0,95 5,39
Dólar Com. -2,3 -10,13
Poupança 0,62 3,5
Ouro 0,86 -2,89
IGP-M 1,98 6,82


 

Como a origem da piora foi mudança de expectativas, a sua reversão também pode ser gerada dessa forma, o que implica atenção ao comportamento do mercado em curto prazo.


 

Prezados Senhores,


Durante o mês de junho ocorreu uma pesada reversão de expectativas quanto ao comportamento das economias brasileira e mundial. No caso da economia mundial ficou claro o problema da inflação, originada nos produtos primários, que estão pressionando os índices de preços, apesar da desaceleração do crescimento. Na economia brasileira as pressões inflacionárias também ficaram mais agudas, originadas especialmente no preço dos alimentos, mas com maior possibilidade de se espalharem pela economia com a demanda elevada. Este cenário de inflação elevada e redução do crescimento levou a pesadas perdas na bolsa de valores e, por outro lado, favoreceu as aplicações de renda fixa.

Apesar dos problemas com aumento da inflação a economia brasileira continua em expansão. As expectativas de crescimento podem até ser reduzidas, mas não há dúvidas sobre a continuidade da expansão da economia. Este cenário favorável se manifesta no cenário político pela inexistência de embates mais sérios no Congresso Nacional. Isto também é favorecido pela ocorrência de eleições municipais. A oposição não consegue articular um posicionamento mais forte contra o governo, limitando-se a atacar pessoas do governo, como é o caso, novamente, da ministra Dilma. Por outro lado, o governo garante a sua popularidade através de medidas como elevação do valor do auxílio do bolsa-família em taxa maior que a inflação.

Esta elevação do bolsa-família é um exemplo claro da política fiscal seguida pelo governo, que não considera a possibilidade de redução de gastos. Entretanto, a preocupação com a evolução da dívida pública levou o governo a aumentar a meta de superávit primário. Como não há redução de gastos, o maior superávit tem de ser obtido com expansão da arrecadação, que está ocorrendo apesar da perda da CPMF, compensada pelo IOF e maior incremento com Imposto de Renda das pessoas jurídicas. O governo já sinalizou, também, que pretende obter maior arrecadação com os dividendos das empresas estatais.

A piora do cenário para a inflação está mostrando que a continuidade do processo de elevação da taxa de juros é inevitável. As elevações dos preços dos produtos primários nos mercados mundiais e dos alimentos em especial, no caso brasileiro, estão levando a aumentos generalizados nas taxas de inflação. O ambiente de crescimento econômico permite que estas elevações de custos sejam transmitidas ao longo da cadeia produtiva para os produtos finais, já que a demanda continua forte. A sinalização dada pelo Banco Central de que o ciclo de elevação das taxas de juros seria rápido já está ultrapassada, sendo perfeitamente plausível a aceleração da elevação das taxas.

As recentes elevações da taxa de juros no Brasil e a manutenção da taxa no resto do mundo, especificamente nos Estados Unidos, torna mais atraentes as operações de aplicação em renda fixa no país pelos investidores estrangeiros. Isto está levando à entrada de capitais especulativos que, juntamente com o maior ingresso de investimento estrangeiro direto, fizeram a moeda brasileira se apreciar, apesar da piora do saldo de transações correntes.

A piora ocorrida no cenário de inflação e taxa de juros gerou volatilidade e pessimismo no mercado financeiro. Como a origem da piora foi mudança de expectativas, a sua reversão também pode ser gerada dessa forma, o que implica atenção ao comportamento do mercado em seus movimentos de curto prazo.


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