Os mercados financeiros no Brasil, especialmente a bolsa de valores, acompanham as oscilações do mercado mundial, apesar de a economia brasileira estar crescendo fortemente.





Resultados em
Agosto de 2010


Ativo % Mês % Ano
Ibov. Fech. -3,51 -5,02
CDI 0,8863 6,11
Dólar Com. -0,07 0,85
Poupança 0,59 4,48
Ouro 3,58 18,95
IGP-M 0,77 -5,02


 

Os fluxos de capitais externos para investimentos em títulos de renda fixa e ações, que acompanham o humor dos mercados financeiros mundiais, influenciam não só a taxa de câmbio como também o mercado de ações brasileiro.


 

Prezados Senhores,


As oscilações de humor nos mercados financeiros internacionais voltaram a predominar no mês de agosto, de acordo com a divulgação de indicadores econômicos conjunturais. Isto significa que não há clareza sobre os rumos da economia mundial. A maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, permanece em uma recuperação muito fraca. A discussão sobre a ocorrência de uma nova recessão enquanto ainda não se recuperou o nível de produção anterior à crise financeira nos países desenvolvidos deixou de ser uma possibilidade remota para se tornar um cenário plausível. Os mercados financeiros no Brasil, especialmente a bolsa de valores, acompanham as oscilações do mercado mundial, apesar de a economia brasileira estar crescendo fortemente.
Enquanto há sérias dúvidas sobre o comportamento da economia dos países desenvolvidos, grande parte dos países emergentes está em expansão acelerada. Neste ano a China ultrapassará o Japão como a segunda maior economia do mundo.
As perspectivas e possibilidades para a economia brasileira, neste contexto, estão no centro dos debates na campanha eleitoral para a Presidência da República. Aparentemente os formuladores das campanhas estão convencidos da necessidade de assegurar as condições para o crescimento de longo prazo da economia, para além do acompanhamento conjuntural de aspectos como inflação e taxa de câmbio. O crescimento de longo prazo, que envolve a ampliação da capacidade produtiva da economia, passa por aumentos da produtividade, o que explica a forte presença da educação como tema de campanha. A implementação de políticas que assegurem estas condições é o grande deságio da economia brasileira nos próximos anos.
Apesar da importância das questões estruturais, os aspectos conjunturais não podem ser deixados de lado, o que envolve a condução das políticas fiscal e monetária. Durante a fase mais aguda da crise financeira internacional o governo brasileiro adotou medidas anticíclicas de política fiscal, mantendo a expansão de gastos e reduzindo impostos para setores selecionados. A reversão da crise levou à revisão dos incentivos fiscais concedidos. Apesar disso e da correspondente elevação da arrecadação, nos últimos meses a recuperação do superávit primário estagnou, o que decorre da continuidade da expansão dos gastos do governo, que parece ser estrutural. Uma boa questão para discussão é o que ocorrerá com os gastos do governo nos próximos anos.
A próxima reunião do Copom voltará a ter a discussão tradicional sobre a necessidade de taxas de juros mais elevadas ou menos elevadas na economia brasileira. Esta discussão esteve ausente durante o período da crise internacional e está retornando. O fato de as taxas reais de juros estarem em níveis baixos para os historicamente observados no Brasil por período relativamente longo não muda a realidade de as taxas de juros brasileiras ainda serem muito elevadas na comparação internacional.
Ao longo dos últimos meses tem se observado um rápido aumento do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos brasileiro. Isto significa que a manutenção do câmbio no nível atual, em que o real está forte, depende da entrada de capitais externos. Uma reversão do fluxo de capitais ou uma rápida desaceleração da entrada podem levar a aumentos do preço das moedas internacionais. Os fluxos de capitais externos para investimentos em títulos de renda fixa e ações, que acompanham o humor dos mercados financeiros mundiais, influenciam não só a taxa de câmbio como também o mercado de ações brasileiro.


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