O mercado brasileiro acompanhou esta melhora de humor no cenário internacional, o que levou a bolsa de valores a ter um desempenho muito positivo em janeiro, com o índice Ibovespa apresentando ganho superior a 10%.





Resultados em
Janeiro de 2012


Ativo % Mês % Ano
Ibov. Fech. 10,6 10,6
CDI 0,85 0,85
Dólar Com. -6,65 -6,65
Poupança 0,58 0,58
Ouro 0,63 0,63
IGP-M 0,25 0,25


 

Os movimentos e tendências não serão gerados pelo desempenho esperado da economia, mas sim pela reação do mercado aos eventos internacionais, tanto no mercado de capitais quanto no mercado cambial.


 

Prezados Senhores,


Prezados Senhores,

Durante o mês de janeiro ocorreu uma melhoria no sentimento do mercado financeiro em relação ao futuro da economia mundial. Apesar de não terem ocorrido mudanças estruturais, as possibilidades de um maior crescimento da economia européia, chinesa e dos Estados Unidos geraram um maior otimismo. Para isso também contribuiu o avanço, embora lento, das negociações sobre a dívida da Grécia, que pode chegar a um acordo com os seus credores privados. No âmbito da União Européia chegou-se a um acordo sobre indicadores fiscais, embora isto não tenha efeitos práticos relevantes. O mercado brasileiro acompanhou esta melhora de humor no cenário internacional, o que levou a bolsa de valores a ter um desempenho muito positivo em janeiro, com o índice Ibovespa apresentando ganho superior a 10%.

Após um início de mês com poucos eventos na política brasileira, no final a agitação tornou-se maior, mostrando que o ano iniciou-se mesmo antes do carnaval. Em termos mais amplos, as negociações com vistas às eleições municipais estão ocorrendo entre os mais diversos partidos e diferentes locais. Isto já levou à substituição do ministro Fernando Haddad, candidato a prefeito em São Paulo, no Ministério da Educação, por Aloizio Mercadante e à troca deste por Marco Antonio Raupp no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A composição do ministério também deve ser alterada com a provável queda do ministro das Cidades, após vários meses de denúncias e possibilidades de demissão. A política externa do governo brasileiro também é destaque por estes dias, com a visita da presidente Dilma a Cuba. Diferentemente de seu pronunciamento na ONU, Dilma não discutiu direitos humanos. A inserção brasileira na política externa, através da concessão de créditos subsidiados a outras nações foi posta em prática mais uma vez, com a participação do BNDES e de empresas brasileiras em empreendimentos cubanos.

A divulgação das contas de 2011 do governo federal mostrou que, apesar do contingenciamento de despesas anunciado no início do ano, as despesas se expandiram mais do que o crescimento do PIB. A taxa de expansão, entretanto, foi menor do que nos anos anteriores. O Ministério da Fazenda continua com o discurso de austeridade fiscal, embora não descarte a adoção de medidas expansionistas de política fiscal. Isto mostra o governo emitindo sinais contraditórios sobre a sua política econômica. Não está claro se a prioridade será a redução da dívida pública ou a busca do crescimento da economia ao longo de 2012, o que só poderá ser verificado a partir dos dados da execução orçamentária.

A ausência de clareza que existe em relação à política fiscal não atinge a política monetária, que é claramente expansionista. Na reunião de janeiro do Copom ocorreu a prevista redução dos juros em 0,5 ponto percentual. Na ata da reunião a continuidade da redução das taxas foi enfatizada, com a explicitação de uma grande possibilidade de a taxa básica cair abaixo de 10% nas próximas reuniões.

Não há clareza, entretanto, se a política monetária expansionista será suficiente para gerar uma retomada forte do crescimento da economia brasileira. Isto significa que também no mercado financeiro os movimentos e tendências não serão gerados, primordialmente, pelo desempenho esperado da economia, mas sim pela reação do mercado aos eventos internacionais, tanto no mercado de capitais quanto no mercado cambial.


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